Planejamento financeiro ajuda brasileiros a enxergarem a casa própria como uma meta possível
Especialistas alertam que a desinformação e o receio de assumir um financiamento têm afastado famílias do mercado imobiliário, mesmo quando existem alternativas viáveis para cada realidade financeira
O sonho da casa própria continua presente na vida dos brasileiros. O que mudou foi o caminho até ele. Nos últimos anos, o aumento dos juros, a valorização dos imóveis e o crescimento do custo de vida fizeram surgir uma barreira menos visível, mas igualmente importante: o medo. Antes mesmo de procurar uma instituição financeira, milhares de famílias já concluem que não conseguirão financiar um imóvel e acabam desistindo da compra sem sequer realizar uma simulação de crédito.
Foi justamente vencendo essa insegurança que o associado Fabio Ferrari de Oliveira, de Catanduvas (PR), conseguiu realizar um dos maiores objetivos da família. Associado ao Sicredi há cerca de sete anos, ele já havia financiado um veículo pela cooperativa. Quando decidiu buscar a casa própria, descobriu que o sonho estava mais próximo do que imaginava.
"Faz bastante tempo que sou associado ao Sicredi. Há cerca de sete anos já tinha realizado um sonho, que foi comprar meu carro por meio de um financiamento. Depois veio a realização da compra da casa. Para mim e para minha esposa, Rhuana, foi um sonho realizado, porque fazia muito tempo que estávamos procurando um lugar para morar. Acho que esse é o sonho de praticamente todo mundo", conta.
Mais do que conquistar um imóvel, Fabio destaca o significado da decisão para a família. "A importância desse sonho realizado é a garantia de conseguir deixar um bem material para nossos filhos e também a alegria de ter o nosso próprio cantinho."
A experiência do associado contrasta com um cenário que chama atenção. Pesquisa realizada pela Ipsos para o QuintoAndar mostra que apenas 33% dos brasileiros pretendem comprar um imóvel nos próximos meses, o menor índice desde o início da série histórica, em 2019. Entre os jovens da Geração Z, quase metade afirma não possuir condições financeiras para dar entrada em um imóvel, enquanto os preços elevados e os juros aparecem entre as principais razões para abandonar esse objetivo.
Ao mesmo tempo, o país registra um crescimento expressivo da população que vive de aluguel. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mostram que o número de brasileiros nessa condição passou de 12,2 milhões para 18,9 milhões entre 2016 e 2025. Hoje, cerca de 48,7 milhões de pessoas não possuem imóvel próprio.
Para Rosana Paes Liston, especialista de crédito da Sicredi Vanguarda PR/SP/RJ, embora o cenário econômico realmente exija planejamento, a desistência antecipada muitas vezes está mais relacionada à percepção do que à realidade financeira de cada família. "Percebemos que muitas pessoas chegam até a cooperativa convencidas de que não terão crédito aprovado. Depois da simulação, descobrem que existiam possibilidades que sequer conheciam. Em muitos casos, o maior obstáculo não é a renda, mas a falta de informação sobre as alternativas disponíveis", afirma.
Superendividamento e o medo de financiar
Nos últimos anos, o crescimento do superendividamento também alterou a forma como muitas famílias enxergam qualquer tipo de crédito. Depois de um período marcado pelo aumento dos juros, inflação elevada e maior comprometimento da renda, muitos consumidores passaram a associar qualquer financiamento ao risco de perder o controle financeiro. O receio, embora compreensível, acaba impedindo que avaliem soluções compatíveis com sua realidade.
Segundo levantamento da Fundação João Pinheiro, o Brasil possui atualmente um déficit habitacional de quase 5,8 milhões de moradias. Mais de 62% desse déficit está relacionado ao peso excessivo do aluguel sobre o orçamento familiar, situação que atinge famílias cuja despesa com aluguel ultrapassa 30% da renda mensal.
Para Rosana, existe um paradoxo nesse cenário. "Hoje, muitas famílias não recebem um 'não' da instituição financeira. Elas dizem 'não' para si mesmas antes mesmo de buscar orientação. O medo acaba paralisando decisões importantes e impede que conheçam caminhos que podem ser construídos de forma gradual e responsável."
Mitos continuam afastando consumidores
Entre os principais equívocos identificados pelos especialistas estão a crença de que é preciso ter todo o valor da entrada disponível, que apenas casais podem compor renda ou que o processo continua excessivamente burocrático.
Também é comum que consumidores desconheçam a possibilidade de utilizar o FGTS na operação, realizar portabilidade de financiamentos ou até optar por modalidades diferentes, como o consórcio imobiliário, quando o momento ainda não é adequado para um financiamento tradicional.
"Outro ponto pouco conhecido é a possibilidade de composição de renda com até quatro pessoas, permitindo que familiares ou outros participantes aumentem a capacidade de financiamento em determinadas situações", explica Rosana.
A primeira decisão não é comprar um imóvel
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o primeiro passo para conquistar a casa própria não é visitar empreendimentos ou escolher um imóvel. Segundo a especialista, a decisão mais importante é realizar uma simulação de crédito.
A partir dela, é possível entender qual valor pode ser financiado, quanto será necessário para entrada, quais serão as parcelas aproximadas e quais alternativas existem caso o financiamento ainda não seja indicado naquele momento.
"Nem sempre a melhor resposta será contratar um financiamento imediatamente. Em alguns casos, o mais indicado é organizar as finanças, utilizar o FGTS, formar uma reserva ou iniciar um consórcio. O importante é que o sonho não seja abandonado antes de ser avaliado. Cada família possui uma realidade diferente e merece uma orientação personalizada", explica.
Informação também faz parte da conquista da casa própria
Além do financiamento imobiliário para imóveis novos e usados, a Sicredi Vanguarda disponibiliza linhas para construção, reforma, utilização do FGTS, portabilidade de crédito e consórcio imobiliário, permitindo que diferentes perfis encontrem soluções compatíveis com seu momento financeiro.
Para Rosana Paes Liston, o maior desafio atualmente não é apenas ampliar o acesso ao crédito, mas reduzir a distância entre o sonho e a informação. "O cenário econômico exige responsabilidade e planejamento, mas desistir sem buscar orientação pode custar ainda mais caro. Muitas vezes, a conquista da casa própria começa com uma conversa, uma simulação e um bom planejamento financeiro. Informação também é um patrimônio que transforma vidas."