Histórias que transformam: revista reúne trajetórias de inclusão, autonomia e novos começos
Publicação apresenta 107 personagens de diferentes perfis e mostra como acesso ao crédito, orientação e formalização ajudam a impulsionar pequenos negócios
Histórias de mulheres que transformaram suas vidas por meio do empreendedorismo são o destaque da revista Pequenos Milagres, publicação recém-lançada pelo Sicredi que reúne 107 trajetórias reais de microempreendedores dos estados do Paraná e de São Paulo. As experiências retratadas — marcadas por recomeços, autonomia financeira, criatividade e superação — fazem parte do Projeto Capital Incentivo, iniciativa da Central Sicredi PR/SP/RJ voltada ao fortalecimento de pequenos empreendedores por meio de apoio financeiro, mentorias e orientação em áreas como finanças e marketing.
Mais do que apoiar financeiramente pequenos negócios, o projeto busca ampliar a inclusão produtiva e financeira de pessoas que muitas vezes estavam à margem do sistema tradicional de crédito. Para muitos participantes, o acesso ao Capital Incentivo representou também o primeiro passo rumo à formalização do negócio, à organização financeira e à construção de novas perspectivas de futuro.
Entre os relatos está o de Vanusa Aparecida Barbosa da Silva, associada da Sicredi Rio Paraná PR/SP/RJ, em Santa Cruz do Monte Castelo (PR). Depois de passar 10 anos trabalhando no campo e atuar como empregada doméstica, ela transformou sua trajetória ao empreender na produção de bolos. “A mentoria ajuda a expandir o negócio e a enxergar novas possibilidades de crescimento”, afirmou ao comentar o impacto do acompanhamento recebido.
Também ganha destaque a história de Denize Rodrigues Magalhães, associada da Sicredi Valor Sustentável PR/SP. Com apoio do incentivo e das mentorias, ela conseguiu montar um salão especializado em cortes de cabelo para PcDs e idosos. “O apoio do Sicredi me ajudou a colocar em prática um sonho e transformar um projeto em realidade”, contou.
Já Vanessa Kelen Francisco Dias, cooperada da Sicredi Noroeste SP, ressaltou o impacto direto no crescimento do negócio. “Antes, a produção era totalmente manual e limitada. Com o incentivo que recebi, consegui investir em equipamentos e ampliar significativamente a produção”, explicou. A associada começou preparando jantares caseiros para amigos e, atualmente, comanda um negócio de gastronomia de sucesso em Novo Horizonte (SP).
Aline Rodrigues Weber destacou a transformação na forma de lidar com a gestão financeira. Associada da Sicredi Planalto das Águas PR/SP, ela utilizou o incentivo para adquirir a máquina responsável pelo processamento dos produtos orgânicos produzidos em seu sítio, facilitando as vendas. “Com a mentoria, consegui separar melhor a vida pessoal da empresarial e entender para onde estava indo o meu dinheiro, o que trouxe mais organização para o meu negócio”, disse.
A empreendedora Iohana Renata Preis, associada da Sicredi Nossa Terra PR/SP, também compartilhou uma mensagem inspiradora para quem deseja começar a empreender. “Comece, mesmo que seja de forma simples, com o que você tem. O crescimento vem com o processo e o aprendizado acontece no dia a dia”. Influenciada pela mãe artesã, ela transformou a paixão em profissão e hoje une confeitaria e arte, criando bolos decorados como verdadeiras obras artísticas.
Já Sônia Aparecida Comim Volkweis, associada da Sicredi Progresso PR/SP, em Toledo (PR), iniciou sua trajetória empreendedora preparando lanches para a filha levar ao trabalho e, hoje, atua na produção de cucas. Mercedes Aparecida da Silva dos Santos, conhecida como Dona Cidinha, moradora de Américo Brasiliense (SP) e associada da Sicredi Morada do Sol SP, também reforçou o valor simbólico do reconhecimento recebido. Costureira há mais de 50 anos, destacou que o incentivo vai além do recurso financeiro. “Mais do que o recurso, é o reconhecimento que faz a diferença. Isso mostra que estamos no caminho certo”, afirmou.
A criação da publicação
A construção da revista Pequenos Milagres nasceu da proposta de dar visibilidade a trajetórias reais de microempreendedores que encontraram no empreendedorismo uma forma de transformar suas vidas. Logo no texto de abertura da publicação, o diretor-executivo da Central Sicredi PR/SP/RJ, Maroan Tohmé, destaca o olhar humano que guiou o projeto. “As histórias nos convidam a refletir sobre o ponto de partida. Sobre como é fundamental que alguém acredite e confie no potencial humano”, ressalta.
A curadoria editorial ficou sob responsabilidade da jornalista Rejane Martins Pires, que conduziu o projeto com o propósito de retratar histórias autênticas e humanizadas. “São pessoas que encontraram no microempreendedorismo uma nova perspectiva de vida, muitas vezes acumulando dupla ou tripla jornada. Não há romantização: a principal motivação é a necessidade. Mas existe também muita paixão, fé e dedicação”, afirma.
A produção da revista envolveu mais de quatro meses de trabalho, em um processo cuidadoso de apuração, entrevistas e edição. Além de Rejane, as jornalistas Juliet Manfrin e Rosane Richetti participaram da construção das reportagens. Cada narrativa foi condensada em textos de aproximadamente 1.500 caracteres, exigindo sensibilidade para preservar a essência e a singularidade de cada personagem. “Foi um processo intenso, mas extremamente enriquecedor. Cada personagem traz uma história única, e isso acabou fortalecendo o desenvolvimento criativo do projeto”, destaca Rejane.
Os detalhes da publicação também foram pensados para traduzir o significado das trajetórias retratadas. O título Pequenos Milagres surgiu a partir dos próprios depoimentos dos participantes e da percepção do impacto transformador que o projeto teve em suas vidas. Já a capa utiliza a metáfora de barquinhos de papel em um oceano para representar os microempreendedores diante dos desafios cotidianos, tendo o cooperativismo como força de apoio para impulsionar novos caminhos.
Mais do que reunir relatos, a revista propõe uma reflexão sobre o papel do cooperativismo na redução das desigualdades sociais, ampliando o acesso a oportunidades e fortalecendo pequenos negócios em diferentes regiões do país. “A principal lição que fica é a necessidade de construirmos uma sociedade mais justa. O cooperativismo de crédito tem um papel fundamental nesse processo, promovendo inclusão e resgatando a autoestima das pessoas”, conclui Rejane.
Para saber mais sobre o projeto, assista o vídeo da revista Pequenos Milagres neste link.