Foz do Iguaçu (PR) recebeu, em 30 de junho, mais uma edição do Summit Governança Sicredi, evento que reuniu conselheiros de administração e fiscais, presidentes, diretores e colaboradores das cooperativas que integram a Central Sicredi PR/SP/RJ. O encontro teve como tema central a confiança, valor sintetizado na frase que batizou a identidade visual desta edição: "A essência que nos guia. As mãos que realizam. A confiança que se constrói todos os dias."

A abertura apresentou o cenário de transformações aceleradas marcado por novas tecnologias, mudanças regulatórias e um ambiente econômico e político que exige atenção das lideranças cooperativistas. A pergunta que orientou a jornada do dia foi direta: “Como seguir evoluindo sem perder aquilo que torna o Sicredi quem é?”.

Para abordar esse tema, o presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ, Manfred Dasenbrock, deu as boas-vindas aos participantes e contextualizou o propósito do encontro: reunir as lideranças para discutir o futuro do cooperativismo e reconhecer os destaques do ano no Arrancadão Sicredi. Ele também destacou o Dia Internacional do Cooperativismo, data que conferiu um significado especial ao Summit, e provocou a plateia com uma pergunta que norteou sua reflexão: “O que nos trouxe até aqui?”

Segundo ele, para que as cooperativas alcancem seus centenários, é preciso cuidar da governança e da sucessão, além de investir continuamente em educação e capacitação. Como exemplos, citou programas como Crescer, A União Faz a Vida, Cooperativas Escolares e os Comitês Mulher, Jovem e de Inclusão, Diversidade e Equidade. Defendeu, ainda, a importância de manter as Assembleias em modo presencial, além de contar a história do cooperativismo às novas gerações e de ampliar a participação de mulheres e jovens em cargos de liderança, sempre tendo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como referência. O presidente reforçou que o Sicredi aderiu à agenda dos ODS desde 2020 e também celebrou a conquista do percentual de mulheres nos conselhos de administração na regional Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, que saltou de 6% para mais de 25% nos últimos anos, reflexo do esforço de inclusão de novos olhares na gestão das cooperativas. 

Ao encerrar a apresentação, relembrou os pilares que sustentam o cooperativismo: educação, consciência cooperativista, cooperação, desenvolvimento, prosperidade compartilhada e relações próximas, conectando-os à confiança como base de tudo, desde a fundação pelas mãos do padre Theodor Amstad até os dias atuais.

Palestras e debates

A programação técnica do dia foi estruturada em três grandes blocos temáticos, cada um seguido de debate e espaço para perguntas e respostas. O primeiro contou com a participação do economista-chefe do Sicredi, André Nunes, que apresentou uma análise aprofundada do cenário econômico brasileiro e de seus impactos nos negócios. Em seguida, o tema foi debatido com o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Central Sicredi PR/SP/RJ, Adilson de Sá. 

Para André, mesmo diante do risco de crédito e dos juros elevados por um longo período, é possível manter uma visão otimista para o médio e o longo prazos. “O agronegócio e outros setores da economia passam por um momento que exige atenção, mas acreditamos que em breve teremos uma retomada, assim como aconteceu em outros momentos", afirmou.

No segundo bloco, foram abordados temas estratégicos para a perenidade das cooperativas, como governança e risco sistêmico. Participaram do debate o economista Fábio Lacerda, sócio na KPMG Consultoria e ex-servidor do Banco Central do Brasil, com atuação em projetos de apoio ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, e o diretor de Supervisão da Central Sicredi PR/SP/RJ, Reginaldo Pedrão. “Quando falamos em gestão de riscos, precisamos ter cuidado com a normalização gradual. Ou seja, não podemos negligenciar as falhas nem ignorar os sinais de alerta. A solução é tratar a causa, e não o estrondo", comparou. 

À tarde, o terceiro bloco trouxe o cientista político e pesquisador do Insper Fernando Schüler para uma análise sobre as variáveis, os riscos e as perspectivas do cenário político brasileiro. Durante a palestra, ele aprofundou a discussão ao colocar a produtividade do trabalho no centro do debate sobre o futuro do país. Schüler apresentou um retrato preocupante: na década de 1980, a produtividade de um trabalhador brasileiro correspondia a mais de 50% da produtividade de um trabalhador americano. Hoje, esse índice caiu para menos de 30%, na contramão de países como a Coreia do Sul, que, no mesmo período, passou de cerca de 20% para perto de 70%. 

Durante o debate com o diretor-executivo da Central Sicredi PR/SP/RJ, Maroan Tohmé, o professor do Insper lembrou que esse descolamento não é acidental, mas resultado da combinação entre elevada carga tributária, alto Custo Brasil e uma máquina pública que consome recursos de forma desproporcional. O cientista político ressaltou que a produtividade não é o único fator determinante, mas é decisiva no longo prazo. Em sua avaliação, o Brasil tem distribuído vantagens, benefícios e subsídios no curto prazo enquanto endivida o futuro, padrão que compromete a capacidade de crescimento sustentado.

Projeto Capital Incentivo

Um dos momentos mais emocionantes do Summit Governança foi dedicado ao Projeto Capital Social, iniciativa criada em 2025 para celebrar o Ano Internacional das Cooperativas, instituído pela ONU. A ação teve como objetivo impulsionar a inclusão financeira e o desenvolvimento local por meio do empreendedorismo. Para isso, as cooperativas Sicredi do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro selecionaram, por meio dos Comitês Mulher e Comitês Jovem, mais de 100 mulheres e jovens empreendedores para receber uma bolsa de R$ 5 mil destinada à formalização de pequenos negócios, além de participarem de uma jornada de, no mínimo, seis meses de mentoria com especialistas em empreendedorismo, marketing, finanças e administração.

A iniciativa foi apresentada em um painel conduzido pela jornalista Rejane Martins, que reuniu no palco quatro mulheres beneficiadas pelo projeto para compartilhar histórias reais de transformação, autonomia e impacto em suas comunidades, evidenciando como o cooperativismo e a inclusão financeira podem gerar oportunidades e promover o desenvolvimento social.

Essas trajetórias deram origem à publicação distribuída aos participantes durante o evento: a revista Pequenos Milagres, que traz relatos de iniciativas responsáveis por transformar a realidade de comunidades em diferentes regiões do país. “Em cada página nos deparamos com um Brasil que funciona. Nos enchemos de esperança ao conhecer essas histórias, e poder dar uma ajuda que foi primordial para mudar a realidade dessas mulheres", celebrou Rejane Martins.

No encerramento do Summit Governança, aconteceu a cerimônia de premiação do Arrancadão Sicredi, campanha interna de performance que reuniu as mais de mil agências das 30 cooperativas que compõem a Central Sicredi PR/SP/RJ. Deste total, 90 agências atingiram as melhores pontuações e foram premiadas. Criada com o objetivo de incentivar o fomento ao relacionamento com os associados, a iniciativa teve como foco seis indicadores de gestão relacionados à geração de negócios e à fidelização do cooperado. Durante a cerimônia, foram reconhecidas e celebradas as equipes, agências e cooperativas que mais se destacaram ao longo da campanha. 

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