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14 de Julho de 2021

Fundos cambiais: investir em dólar é somente para quem tem muito dinheiro?

Saiba para quais objetivos os fundos cambiais são indicados e como investir corretamente nessa modalidade

Notícias | Investimentos

Com a alta do dólar, os investidores começaram a perceber os investimentos na moeda estrangeira como uma oportunidade de ganho, devido à variação do câmbio. Um dos investimentos que mais obteve destaque foram os Fundos Cambiais, que tiveram desempenho positivo desde o início do movimento de alta da moeda. Contudo, o objetivo de um fundo cambial não é exatamente o lucro, mas sim a preservação do poder de compra em moeda estrangeira e a proteção do patrimônio do investidor frente às oscilações do mercado.

Confira, neste artigo, como funcionam os fundos cambiais e quais são os objetivos que eles atendem.

O que é um Fundo Cambial?

Por definição, os fundos cambiais são fundos de investimento cuja carteira deve ter ao menos 80% dos seus ativos investidos em ativos relacionados a moedas estrangeiras, sendo o dólar a mais utilizada pela maioria deles. Por conta disso, o desempenho dos fundos cambiais costuma acompanhar de perto a performance da sua moeda de referência (dólar, euro, etc). Geralmente, o objetivo do fundo cambial é replicar a variação do dólar comercial, e o benchmark – índice de referência para avaliar o desempenho de uma aplicação – usado por eles é o PTAX, que é a taxa de referência para a cotação de moedas estrangeiras na economia brasileira, definido pelo Banco Central.

A “rentabilidade” dos fundos cambiais é representada pela variação da moeda estrangeira em relação ao real. Na prática, se você investir R$ 1.000 em um fundo cambial, e após um período o dólar obter uma valorização de, digamos, 10%, a rentabilidade será de, aproximadamente, R$ 100. Já se, ao contrário, o dólar tiver uma variação de -10%, você irá perder esses mesmos R$ 100.

O dólar, ou qualquer outra moeda estrangeira em si, não é considerado um investimento propriamente dito, porque a sua utilização como índice não envolve necessariamente o lucro. O investimento deve ser entendido como tudo aquilo que gera retorno, e que multiplique seu dinheiro. Em qualquer investimento de renda fixa, por exemplo, o investidor recebe juros pelo empréstimo à instituição financeira. Já nos fundos cambiais, a lucratividade vai depender se a diferença da cotação da moeda estrangeira for maior no momento do resgate do que no momento da compra, ou seja, o lucro não é garantido.

A verdadeira função dos fundos cambiais não é o lucro, mas sim a preservação do poder de compra e a proteção de parte do patrimônio do investidor. Existem apenas duas situações em que é possível chegar nesses objetivos com os fundos cambiais, que são:

1. Dolarizar parte da carteira

Neste caso, o investidor deseja dolarizar uma parcela do seu capital. Isso pode acontecer por diversos motivos, variando de pessoa para pessoa, como neste exemplo: Vamos supor que um investidor já tenha reservado hoje um dinheiro para realizar uma viagem ao exterior daqui exatamente um ano. Como as taxas de câmbio são conhecidas por sua instabilidade, sendo impossível de prever qual será a taxa exata daqui um ano, existe um grande risco de que esse mesmo montante em reais que o investidor possui hoje não seja capaz de comprar a mesma quantidade de dólares no futuro. Se hoje o dólar estivesse a R$ 5, e daqui um ano a R$ 6, ele teria que ter mais dinheiro para comprar a mesma quantia em moeda estrangeira.

Como ele poderia se proteger nessa situação? É aí que entram em jogo os fundos cambiais. Se ele investir hoje em um fundo cambial esse dinheiro que tem reservado para a viajar, com o dólar a R$ 5, a variação dessa aplicação irá variar ao longo do tempo, acompanhando muito de perto a cotação do dólar comercial. Daqui um ano, se a moeda chegar até R$ 6 ou R$ 7, o investidor continuará a ter o mesmo poder de compra em dólar com o dinheiro investido no fundo cambial.

Essa é uma forma de garantir hoje a realização de algum objetivo em moeda estrangeira no futuro, sem se preocupar com a variação do câmbio. Contudo, se o cenário daqui um ano, como no exemplo acima, for ao contrário, e o dólar passar a valer R$ 4, o montante investido será, de fato, menor do que o inicial. Porém, será mantido o mesmo poder de compra em dólares, o que era o objetivo inicial.

Por fim, no caso de dolarizar parte da carteira, a intenção não é ganhar dinheiro com a variação das taxas de câmbio, mas sim garantir hoje o poder de compra em moeda estrangeira para algum propósito no futuro, sem estar exposto aos riscos da cotação de moedas.

2. Proteger parte da carteira de investimentos

Existem investidores que fazem operações em bolsa de valores que se incomodam com a volatilidade da sua carteira de investimentos nesses tipos de aplicação. Para eles, os fundos cambiais servem para fazer o que chamamos de “Hedge”, que significa a proteção do capital.

Antes de entender mais sobre o Hedge, é preciso entender sobre o conceito de “correlação” no mercado de investimentos. A correlação serve como uma medida para entender os movimentos do mercado entre ativos que apresentam alguma dependência entre si, no que diz respeito à sua variação de valores. Na “correlação positiva perfeita”, dois ativos se movem na mesma proporção e direção, ou seja, se um sobe, o outro subirá na mesma medida. Já na “correlação negativa perfeita”, os dois ativos se movimentam na mesma proporção, porém em direções opostas, se um cair, o outro subirá na mesma medida.

No contexto da bolsa de valores, o dólar geralmente estabelece uma correlação negativa – que não é perfeita, pois não é exatamente na mesma proporção – com as ações e outros ativos que são comercializados lá. Portanto, quando a bolsa cai, o dólar tende a subir, e vice-versa.

Por esse motivo, certos investidores usam o dólar como um recurso para “proteção” da carteira. Pois se eles tiverem, ao mesmo tempo, investimentos em ações e em fundos cambiais, em um momento de crise, quando as ações perderem valor de mercado, o dinheiro investido em fundos cambiais tenderá a se valorizar, amortizando parte das perdas.

Essa estratégia só faz sentido para o investidor que enxerga a volatilidade como um risco, e que se incomoda com a oscilação da carteira.

Quais são os custos dos Fundos Cambiais?

Assim como a maioria dos fundos, eles sofrem incidência de Imposto de Renda (IR), de acordo com a tabela regressiva, que diminui a porcentagem de cobrança quanto mais tempo investido. Contudo, por não se tratar de uma aplicação com tempo determinado, é realizada a cobrança de IR antecipada pelo sistema de “come-cotas”, que realiza a cobrança semestral de 15%, sendo que a diferença de alíquota é descontada no momento do resgate. Confira a tabela:

Tempo de Investimento         Alíquota de IR 

Entre 0 e 180 dias                     22,5% 

Entre 181 e 360 dias                 20% 

Entre 361 e 720 dias                 17,5% 

Acima de 721 dias                     15% 

Outro custo envolvido é o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), mas somente se o investidor realizar resgates antes de decorridos 30 dias desde a compra. Nesse período, a alíquota de IOF incide de forma decrescente de 96% no primeiro dia, até ser zerada no trigésimo, somente sobre a rentabilidade.

Os fundos cambiais cobram a taxa de administração, que é calculada como um percentual sobre o patrimônio administrado pelo fundo, e a sua função é cobrir as despesas administrativas, sendo cobrada independentemente dos resultados das aplicações.

Uma vantagem dos fundos cambiais sobre outros tipos de fundos de investimento é que não há a cobrança de taxa de performance ou taxas de entrada ou saída.

Riscos

Por fim, é preciso ressaltar que mesmo investindo em dólar, o investidor continua exposto ao Risco Brasil, pois seu dinheiro continuará no país, e não no exterior. Se você desejar não ficar exposto a esse risco, a única alternativa é investir diretamente no exterior, por outros meios.

Outra questão é que os fundos de investimento, incluindo os cambiais, não estão cobertos por fundos garantidores – FGCoop, FGC –, por isso, é necessário investigar o histórico e a reputação da instituição financeira que oferece aquele fundo cambial.

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