O Tocantins deve encerrar a safra 2025/2026 com aproximadamente 9,73 milhões de toneladas de grãos, crescimento de 6,1% em relação às 9,17 milhões de toneladas do ciclo anterior. Os dados do 12º Levantamento da Safra Brasileira de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mantêm o estado como o maior produtor da Região Norte. A expansão ocorre em uma atividade na qual o investimento em insumos antecede a receita da colheita e exige organização financeira ao longo de todo o ciclo.

Na rotina da propriedade, o agricultor precisa conciliar a compra de fertilizantes com o calendário da lavoura e as condições de comercialização. Preços dos insumos, cotação dos grãos e vencimentos entram na mesma conta. Uma parceria lançada em 6 de outubro, em Miranorte, pela Sicredi União MS/TO e Oeste da Bahia e pela Motta Fertilizantes oferece uma alternativa para esse planejamento.

A iniciativa utiliza operações de barter, modalidade que vincula a compra de insumos à produção futura. Na negociação, são estabelecidas as condições e a quantidade de grãos necessária para o pagamento. O produtor passa a conhecer, desde a contratação, a parcela da colheita que ficará comprometida com a aquisição.

José Eduardo Motta, CEO da Motta Fertilizantes, explica a proposta a partir do custo do fertilizante convertido em sacas de soja ou milho.

“O sujeito que comprou o fertilizante já sabe quantos sacos de soja ou quantos sacos de milho que ele vai precisar para pagar aquele custo”, afirma.

Segundo o empresário, a parceria acompanha a retomada do grupo na distribuição de fertilizantes e busca ampliar as opções de financiamento para os produtores do Tocantins.

Produção e área cultivada

Além do crescimento no volume de grãos, a ampliação da área dedicada às lavouras ajuda a dimensionar a demanda por insumos. Conforme boletim da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (Faet), com referências da Conab para a temporada 2024/2025, a área de milho segunda safra passou de 373 mil para 415 mil hectares, aumento de 11,3%.

Para o agricultor, a decisão sobre financiamento precisa acompanhar esse planejamento produtivo. A quantidade de insumos adquirida, os compromissos já assumidos e a expectativa de colheita são elementos considerados na contratação. No barter, a definição antecipada da relação entre fertilizantes e grãos permite organizar parte dessa conta, mas também estabelece obrigações que deverão ser cumpridas nos prazos acordados.

No modelo divulgado pelo Sicredi, a operação é estruturada por meio de uma Cédula de Produto Rural Financeira, a CPR Financeira. A cooperativa atua na organização do fluxo financeiro e na conexão entre produtor e parceiro comercial. As condições são definidas previamente, e a contratação considera a capacidade produtiva, a estratégia de comercialização e a análise de crédito e garantias.

Na parceria com a Motta Fertilizantes, o produtor rural adquire os insumos necessários para a safra junto à empresa parceira e formaliza a operação por meio de uma CPR Financeira. Após a colheita, os grãos produzidos são entregues conforme as condições previamente estabelecidas no contrato, permitindo a liquidação da operação. Dessa forma, o associado tem acesso aos insumos necessários para o custeio da produção e conta com maior previsibilidade na gestão financeira da atividade.

Base de associados e atendimento especializado

Os limites pré-aprovados representam possibilidades de contratação dentro das condições estabelecidas pela cooperativa; o indicador não corresponde ao volume já desembolsado nem a recursos exclusivos da parceria com a Motta.

Para Rodrigo Machado, Superintendente de Desenvolvimento de Negócios da Sicredi União MS/TO e Oeste da Bahia, a iniciativa aproxima as soluções financeiras das necessidades dos produtores da região.

Durante o lançamento, ele destacou a relação entre a compra de fertilizantes, a armazenagem e a comercialização dos grãos. Segundo Rodrigo, a parceria busca oferecer alternativas locais e fortalecer o relacionamento com os associados em um momento desafiador para o agronegócio.

Experiência regional

A atuação da Motta na produção agrícola e na compra de grãos integra a proposta. José Eduardo Motta está no Tocantins há quase 30 anos e também trabalha com soja, milho e pecuária. Segundo ele, essa experiência permite compreender as dificuldades que os produtores enfrentam para investir e conduzir suas atividades.

“Eu sou um fazendeiro, eu sofro as mesmas dores que o fazendeiro sofre”, diz.

O empresário destaca o contato direto com quem conduz a empresa como parte da relação comercial. Para ele, a parceria oferece mais uma opção de financiamento ao produtor tocantinense, especialmente na região de Miranorte.

As informações sobre atendimento, documentos e condições de contratação podem ser consultadas nas Agências do Sicredi em Palmas, Paraíso do Tocantis, Pedro Afonso, Miranorte e Guaraí.

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